Lei de Packard por Carlos Oshiro

Em seu mais novo livro “Como as gigantes caem”, Jim Collins faz alusão a uma lei pouco conhecido da grande maioria dos gestores, mas que tem impacto crucial na morte das organizações. Trata-se da Lei de Packard, homenagem a David – um dos fundadores da HP. Segundo a regra, nenhuma empresa pode aumentar sua receita, de forma constante, mais rapidamente do que a capacidade de contratar as pessoas certas em número suficiente para implementar esse crescimento e ainda se tornar uma empresa excelente. “Se você permitir que o crescimento supere a capacidade de pôr as pessoas certas nos lugares-chave, sua empresa cairá inexoravelmente” diz Collins. Trocando em miúdos, o conceito explica que nenhuma organização pode crescer o seu tamanho e as suas receitas, maior do que a capacidade de desenvolver o seu capital humano. Se isso acontecer, na frente terá problemas. Jim Collins, ao escrever um de seus Best sellers – “Empresas feitas para vencer”- realizou uma pesquisa que lhe deixou surpreso. Nas empresas que passaram de bom a excelente, a grande maioria dos líderes não sabiam para onde ir. Eles se preocupavam muito em aumentar os negócios, e quase nada em ter pessoas preparadas para tocarem esse crescimento. Olhando para o mercado de Manaus, essa teoria faz muito sentido. Da noite para o dia, visualizamos várias organizações se triplicarem com filiais, deixando por último; o padrão, o atendimento e a qualificação das pessoas. Enfim, a gestão. Da mesma forma que crescem, em pouco tempo começam a fechar.


Daí, pode vir o seguinte questionamento: E como explicar a permanência por longos períodos, de empresas que não tem a cultura de investir, qualificar, e reter talentos? Provavelmente, essa organização ainda sobrevive da sua tradição no mercado, vindo de épocas em que a concorrência não era tão acirrada. Mas, com certeza sentem atualmente a falta de líderes qualificados para tocarem seus negócios. E no futuro, vão morrer. Ou, em raros casos, se encontram em algum mercado ainda protegido pelo seu know-how, ou pelo monopólio do segmento. Logo, essa proteção ficará vulnerável, e será necessário ter talentos em sua equipe para “virar o jogo”. Atualmente enxergo muitas redes antigas, que sentem “na pele” a competitividade, e a falta de preparo de seus gestores. Sem dizer, das potências que já sucumbiram com a chegada de concorrentes mais fortes.


Segundo Jim Collins, o declínio possui 5 estágios: O excesso de confiança proveniente do sucesso, a indisciplinada busca por mais, a negação de riscos e perigos, a luta desesperada pela salvação e por último, a entrega à irrelevância ou à morte. A boa notícia é, que em qualquer um desses estágios existe salvação e pode se dar a volta por cima. Infelizmente, muito poucas conseguem. A Apple e a Disney são exemplos desse “turnaround”. E o foco principal foram as pessoas: A primeira liberando a inovação e criatividade, a outra ensinando como encantar. A era atual é a do conhecimento, mas infelizmente muitas organizações ainda estão na era industrial.



Autor Carlos Eduardo Oshiro da Targo Consultoria - Manaus - AM
Siga no Twitter @carlososhiro

Um comentário:

Keity Cristina disse...

Muito bem comentado com relação a Lei Packard. Adorei.

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